Agro

Quais tipos de carne bovina serão mais taxados nos Estados Unidos

Assim como a carne, o sebo bovino exportado para os Estados Unidos poderá ser sobretaxado em 50%

Por Redação

REDAÇÃO

21/07/2025 • 19:49 • Atualizado em 21/07/2025 • 19:49

Com tarifas, setor de carnes terá prejuízo de USD1,3 bi em um ano e USD 3 bilhões nos anos seguintes
Com tarifas, setor de carnes terá prejuízo de USD1,3 bi em um ano e USD 3 bilhões nos anos seguintes - Foto: Envato Elements

A aplicação das tarifas adicionais de 50% sobre os produtos brasileiros pelos Estados Unidos, medida que pode entrar em vigo a partir de 1º de agosto, pode provocar prejuízos estimados em US$ 1,3 bilhão para o setor de carne bovina em 2025 e ultrapassar US$ 3 bilhões nos anos seguintes , caso a medida seja mantida, estima a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

Conforme aponta a associação, as exportações brasileiras de carne bovina e subprodutos cresceram 27,93% em receita no primeiro semestre de 2025, alcançando US$ 7,446 bilhões. Os EUA são o segundo maior destino desses produtos, com vendas de US$ 1,287 bilhão no período, aumento de 99,8% em relação a 2024. Mas, a nova tarifa pode inviabilizar parte significativa desse comércio.

Entre os produtos mais afetados estão as carnes desossadas congeladas , cuja tarifa pode saltar de 36% para 76% do valor FOB; o sebo bovino , que teria um aumento de 286%, atingindo 54% do preço médio; e ocorned beef(preparação curada em salmoura), com alta de 384% na tarifa.

Em nota, a Abrafrigo destacou:"Verifica-se, assim, elevada dependência dos EUA nas exportações de preparações alimentícias e conservas bovinas (65,1%) e de sebo bovino fundido (99,9%), produtos cujos exportadores poderão encontrar maior dificuldade de redirecionar suas exportações caso seja confirmada a nova tarifa de 50% anunciada pelo governo dos EUA aos produtos brasileiros”.

Busca de novos mercados

A China segue como principal compradora, absorvendo 43% das exportações brasileiras de carne bovina, mas a Abrafrigo aponta que o Brasil deve acelerar a diversificação de mercados, com destaque para Chile, México e Rússia , que tiveram crescimentos expressivos em 2025. O México, por exemplo, ampliou suas compras em 236% no primeiro semestre. O Japão também seria um destino.

Diante desse cenário, a Abrafrigo pede ao governo brasileiro que adote medidas urgentes, como a negociação diplomática com os EUA para evitar a tarifa, sem medidas de retaliação que possam agravar o cenário, e a agilização de acordos comerciais para a abertura de novos mercados. Além disso, a entidade alerta para o risco de retaliações que possam encarecer a importação de insumos pecuários, afetando toda a cadeia produtiva.

“A tarifa adicional de 50% anunciada pelo governo dos EUA pode inviabilizar, pela sua magnitude e impacto, a continuidade das exportações de carnes bovinas para aquele país, o que reforça a necessidade de busca por novos mercados”, defende a entidade no documento.

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