Agro

Preço do milho sobe mesmo com projeção de safra recorde no Brasil

Retração de produtores, atraso na colheita e cotações externas impulsionam valores no mercado físico nacional, segundo pesquisadores do Cepea

Da redação

DA REDAÇÃO

17/08/2026 • 13:49 • Atualizado em 17/08/2026 • 13:49

Agricultores estão 'segurando' o milho à espera de contratos ainda mais altos
Agricultores estão 'segurando' o milho à espera de contratos ainda mais altos - Foto: Foto: Jonas Oliveira/SEAB

Os preços do milho continuam em trajetória de valorização no mercado brasileiro , impulsionados pela postura retraída dos produtores rurais e por incertezas climáticas , mesmo diante de estimativas que apontam para uma safra 2025/26 recorde. O levantamento foi divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com pesquisadores da instituição, os agricultores optam por reter os lotes disponíveis no momento. Essa decisão reduz a oferta imediata no mercado spot — termo técnico que define o mercado à vista, no qual as negociações e as entregas do produto ocorrem em prazos curtos.

A atitude cautelosa no campo limita o volume total de negócios diários no País. Como muitos produtores rurais contam com espaço de estocagem ou fôlego financeiro, eles preferem aguardar valores mais atrativos antes de disponibilizar grandes volumes da safra.

Ao mesmo tempo, as cotações internacionais do grão mantêm firmeza no exterior. Esse movimento eleva a paridade de exportação, indicador que calcula a equivalência financeira entre vender o produto nos portos para outros países ou comercializá-lo dentro do mercado doméstico.

Outro elemento que sustenta a valorização interna reside no atraso do calendário de colheita em importantes regiões produtoras. O ritmo mais lento das colheitadeiras no campo desacelera a entrada física do produto nas tradings e armazéns.

Além da lentidão na colheita, o agronegócio acompanha com preocupação as projeções meteorológicas para o encerramento do ano. A principal apreensão recai sobre as anomalias ligadas ao fenômeno El Niño, evento climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e que pode alterar o regime de chuvas nas lavouras.

A possibilidade de variações no clima durante o ciclo produtivo reforça a postura defensiva dos vendedores. O receio de eventuais perdas na produtividade futura desestimula a venda antecipada de grandes lotes.

Do lado da demanda, as indústrias consumidoras e fábricas de ração permanecem ativas na busca por negócios. A intenção desses agentes é garantir a recomposição de seus estoques de segurança para os próximos meses de processamento. Apesar dessa procura contínua, o Cepea indica que existe uma distância entre os valores negociados. Os compradores seguem apresentando propostas financeiras abaixo dos valores pedidos pelos agricultores, o que reduz a liquidez imediata das praças.

A expectativa das indústrias é de que o avanço gradual da colheita aumente a necessidade de venda por parte dos agricultores. Com a chegada de um volume maior de produto às cooperativas, o interesse dos vendedores nas negociações pode destravar novas operações comerciais.

O milho representa um insumo fundamental para as cadeias produtivas de aves, suínos e gado de corte. Por essa razão, a movimentação de alta nas cotações do grão segue sob constante acompanhamento do mercado agropecuário nacional.

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