Agro

Preço do farelo de soja cai no Brasil mesmo com alta no mercado externo

Enquanto cotações internacionais sobem impulsionadas pelo biodiesel nos EUA, demanda interna enfraquecida pressiona os preços no mercado brasileiro

Da redação

DA REDAÇÃO

01/06/2026 • 19:34 • Atualizado em 01/06/2026 • 19:34

A valorização do óleo de soja está mantendo as cotações em alta no mercado internacional
A valorização do óleo de soja está mantendo as cotações em alta no mercado internacional - Foto: Freepik

O preço do farelo de soja registrou queda no mercado interno brasileiro ao longo da semana, operando em uma direção contrária ao cenário internacional. De acordo com pesquisadores do Centro de Pesquisas Avançadas em Economia Aplicada (Cepea), a retração da demanda doméstica tem sido o principal fator de pressão sobre as cotações locais.

Mesmo com a valorização do derivado no exterior, os consumidores brasileiros seguem abastecidos e mantêm uma postura cautelosa nas compras. A tendência de baixa ocorre em um momento onde o óleo de soja ganha protagonismo global devido ao setor de biocombustíveis.

Impacto do biodiesel nas cotações internacionais

No mercado internacional, a valorização do óleo de soja tem sustentado os preços da oleaginosa como um todo. Esse movimento é impulsionado principalmente pela forte demanda das indústrias de processamento nos Estados Unidos, que focam na produção de biodiesel.

Em maio, as cotações do óleo registraram altas expressivas , o que alterou a composição da rentabilidade das indústrias norte-americanas. Com o aumento da margem industrial vinda do óleo, o farelo também acabou encontrando suporte para valorização externa, amparado pela expectativa de maior procura pelo subproduto dos EUA.

No entanto, essa euforia externa não se traduz integralmente para o cenário brasileiro. O repasse das altas internacionais permanece limitado por fatores logísticos e comerciais específicos do país.

Pressão nos prêmios e demanda interna no Brasil

Segundo o Cepea, o mercado brasileiro enfrenta o desafio dos prêmios de exportação e de uma procura doméstica enfraquecida. Grande parte dos compradores internos, como as indústrias de proteína animal que utilizam o farelo na ração, já está com estoques garantidos.

Atualmente, o volume de negócios no Brasil é restrito a pequenas quantidades para reposição imediata. Essa retração dos compradores faz com que os vendedores locais tenham dificuldade em repassar os ganhos vistos na Bolsa de Chicago.

O cenário demonstra uma dicotomia: enquanto o mundo olha para o óleo de soja como fonte de energia limpa, o farelo de soja no Brasil sofre com o excesso de oferta e a falta de apetite dos compradores locais neste período.

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