A chegada de uma onda de ar polar no centro-sul e oeste do Brasil deve provocar queda brusca de temperaturas nos próximos dias. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta laranja, de "perigo" à saúde por conta do declínio esperado de mais de 5ºC nas médias locais. Regiões como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina podem registrar neve e, no Paraná e em Mato Grosso do Sul, as geadas podem ocorrer de forma intensa, prejudicando as lavouras de mlho de segunda safra.
Faltando menos de um mês para o inverno, a onda de frio desta semana deve ser apenas um “aperitivo” da próxima estação, que apesar de ser prevista como “mais quente” que a média dos últimos invernos, trará ondas muito intensas de frio . A condição é atribuída à neutralidade. “A estação não terá influência significativa dos fenômenos El Niño ou La Niña no Pacífico Equatorial. A última vez que isso aconteceu foi no ano de 2013”, informa o relatório da FieldPro, empresa brasileira que utiliza a Inteligência Artificial para elaborar previsões climáticas.
Segundo o relatório, com a neutralidade, não existe a expectativa de um inverno rigoroso no Brasil , como ocorreu há 12 anos, mas a previsão é que as ondas de frio sejam intensas durante toda a estação. A empresa também indica que o inverno neste ano pode até registrar chuva, ao contrário do que ocorreu nos últimos anos. “Durante a passagem das frentes frias mais intensas, a chuva pode surpreender com valores acima da média em áreas de Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo e regiões sul e oeste de Mato Grosso”.
Como os fenômenos El Niño e La Niña impactam o clima?
Os fenômenos El Niño e La Niña são os principais padrões de variabilidade interanual que influenciam o clima global. O El Niño consiste no aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial por um período de pelo menos cinco meses consecutivos. A La Niña é o resfriamento anômalo das águas do Pacífico Equatorial por pelo menos cinco meses seguidos.
O aquecimento e ou o resfriamento da porção equatorial do Pacífico altera de maneira profunda a circulação atmosférica, principalmente quando são intensos e duradouros. Como consequência, ocorrem alterações nos padrões climáticos normais em diferentes regiões da Terra, com variações na precipitação, temperatura e padrões de ventos.
Em anos de neutralidade, a temperatura do Pacífico Equatorial fica próxima da média de referência, sem anomalias quentes ou frias pronunciadas e por um intervalo de tempo mais longo. Dessa forma, a temperatura da superfície do mar do Pacífico Equatorial deixa de ser o principal padrão modulador do clima, que passa a ter mais influência de outros modos de variabilidade, cuja escala espacial e temporal são menores, como por exemplo, a temperatura do Atlântico Sul, a Oscilação Madden-Julian e a Oscilação Antártica.
Como se tratam de padrões mais complexos e de baixa previsibilidade no médio e longo prazos (mais de dois meses), o monitoramento meteorológico contínuo é imprescindível para captar as constantes alterações climáticas. Os prognósticos para os próximos meses sugerem a manutenção do quadro de neutralidade por mais de um ano, diferente do que ocorreu em 2013.
Em 2013, a última vez que o Brasil ficou sob a condição neutra, ocorreram oscilações radicais no clima, como a histórica onda de frio no Rio Grande do Sul, considerada a mais intensa desde o ano 2000. Até a Primavera de 2013 foi marcada por episódios de frio no Brasil.
Previsão para a semana
A previsão meteorológica para a semana de 26 de maio até o dia 02 de junho i ndica chuvas volumosas no norte da Região Norte, sudoeste de Mato Grosso e sul do Rio Grande do Sul onde os volumes podem ultrapassar os 60 mm. Chuvas entre 20 e 40 mm poderão ocorrer em Mato Grosso do Sul, sudoeste de São Paulo e oeste da Região Sul.
Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste devem ocorrer chuvas entre 20 e 50 mm, especialmente no oeste do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e oeste de São Paulo. Nas demais áreas, a previsão é de acumulados inferiores a 10 mm. No leste do Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e noroeste de Minas Gerais a previsão é de tempo aberto.
Na região sul, a frente fria favorecerá também a ocorrência de tempestades, que podem ser acompanhadas de ventos intensos, principalmente no Rio Grande do Sul. Os totais de chuva poderem ultrapassar os 100 mm. Volumes entre 20 e 40 mm devem ocorrer no oeste do Paraná e Santa Catarina, em contrapartida, a porção leste destes estados devem ter volumes de chuva inferiores a 10 mm.
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