
Uma a meaça ao rebanho de gado norte-americano pode deixar o preço da carne ainda mais elevado nos Estados Unidos. Trata-se do aumento da população deMosca-da-Bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga devastadora, que se alimenta de carne viva de animais e pode até atacar seres humanos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a bicheira-do-Novo Mundo (NWS,Cochliomyia hominivorax) pode infestar o gado, animais de estimação, animais selvagens, pássaros e duas pessoas morreram em decorrência dessa praga no ano passado, na Costa Rica.
Segundo um alerta emitido pela USDA a pecuaristas norte-americanos, a NWS é endêmica em Cuba, Haiti, República Dominicana e países da América do Sul. Há décadas, os Estados Unidos e o Panamá colaboram por meio da Comissão para a Erradicação e Prevenção da Bicheira (COPEG) para impedir o avanço da praga em direção à região norte do país. “Utilizamos uma técnica de controle biológico (insetos esterilizados) para erradicar as populações de moscas da NWS. Essa abordagem erradicou a NWS dos Estados Unidos em 1966 e eliminou um pequeno surto nas Florida Keys em 2017”, diz o comunicado. “Manter o NWS fora dos Estados Unidos é crucial para proteger nossa indústria pecuária, economia e cadeia de fornecimento de alimentos”.
Praga já estava erradicada na América do Norte
A Bicheira do Novo Mundo já estava erradicada na América do Norte, mas reapareceu em importantes regiões da pecuária de corte. Essa praga é um inseto carnívoro que deposita larvas parasitas em feridas nos corpos dos animais (e de humanos). Elas localizam uma ferida, mesmo que seja muito pequena, através do olfato. Ao localizar o ‘alvo’, depositam ali ovos que se desenvolvem ‘por dentro da pele’ e se alimentam da carne. As consequências são múltiplas e, em última instância, podem levar à morte.
O nome científico da Bicheira do Novo Mundo éCochliomyia hominivorax.Nos Estados Unidos , a mosca-bicheira foi um problema severo na década de 1960 . Estima-se que, naquela época, ocorriam cerca de 1 milhão de casos anuais nos rebanhos do Texas. Para acabar com a praga, cientistas utilizaram um método conhecido como técnica do Inseto Infértil (SIT).
Como está ocorrendo atualemnte para combater o mosquito da dengue no Brasil, a estratégia consiste em liberar bilhões de moscas macho estéreis no ambiente da epidemia. As fêmeas acasalam apenas uma vez antes de depositar os ovos – então, ao copularem com parceiros inférteis, ficam impossibilitadas de produzir ovos. Com ajuda do clima frio e tratamento químico, as bicheira-do-Novo Mundo haviam sido erradicadas nos EUA em 1982, mas agora, voltaram com força nos Estados Unidos.
Segundo o USDA, a praga ressurgiu porque, em 2022, uma instalação localizada no Panamá, que produzia a liberava as moscas inférteis de forma regular na natureza, deixou de realizar a soltura e a praga se espalhou nas regiões norte dos Estados Unidos e países da América Central, onde duas pessoas foram devoradas pelas moscas em 2024.
Cientistas estudam diferentes hipóteses para o aumento descontrolado da bicheira e o aquecimento global é apontado como uma das possíveis causas principais do problema. Outra teoria aponta que as moscas podem ter aprendido a acompanhar o movimento do gado ou evitar parceiros sexuais estéreis.
Bicheira do Novo Mundo não é berne
Uma das maiores dúvidas em relação a Bicheira do Novo Mundo é se ela é semelhante à berne, comum no Brasil. A resposta é não! Segundo especialistas, a berne é causada pelas larvas da mosca-varejeiraDermatobia hominis, e a bicheira é causada pelas larvas deCochliomyia hominivorax.
No ciclo da berne, as moscas-varejeiras emergem e realizam a cópula por um período de 24 horas, e em seguida iniciam um processo de deposição de ovos no abdome de insetos vetores. A incubação dos ovos nos vetores dura cerca de 6 a 8 dias e a infestação ocorre quando os insetos vetores depositam os ovos na superfície da pele dos animais hospedeiros e as larvas emergem penetrando na pele, causando um tipo de miíase cutânea.
Já a bicheira causa miíase cutânea traumática, As larvas eclodem após 24 horas, penetram na ferida do animal e passam a se alimentar do tecido muscular, aumentando o tamanho da lesão e liberando um mau cheiro que atrai outras moscas para a postura de ovos.
A principal diferença entre o berne e a bicheira é a forma de apresentação da miíase. A bicheira é caracterizada pela presença de larvas que se alimentam de tecido muscular com ferimento, o berne é caracterizado pela infestação do tecido íntegro do animal, onde as larvas penetram e formam um nódulo no local.
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