Agro

Pedra de fel: item do boi chega a R$ 1 mi e supera ouro e Wagyu

Conhecida como "pedra de fel", cálculo biliar supera valor de cortes nobres como Wagyu e é disputado pela indústria farmacêutica asiática

Da redação

DA REDAÇÃO

25/12/2025 • 19:06 • Atualizado em 25/12/2025 • 19:06

Pedras de fel retiradas de bovinos
Pedras de fel retiradas de bovinos - Foto: Divulgação/Acrisul

Existem carnes bovinas de primeira, e ainda, aquelas que são consideradaspremium, mas ainda assim elas não são as partes mais caras de um boi. O verdadeiro "tesouro" oculto na pecuária não é a carne, mas sim um subproduto conhecido popularmente como pedra de fel. Tecnicamente chamado de cálculo biliar, esse item possui valores de negociação que podem superar a cotação do ouro e atingir cifras milionárias no mercado internacional, dependendo da qualidade e do tamanho.

A pedra de fel nada mais é do que o resultado do acúmulo de sais e cálcio na vesícula biliar de alguns bovinos. Trata-se de uma formação patológica, semelhante às "pedras na vesícula" que afetam humanos.

A raridade é o primeiro fator que impulsiona o preço astronômico. O item não é encontrado em todos os animais abatidos; na verdade, a incidência é baixa, o que torna a coleta uma "garimpagem" dentro dos frigoríficos.

O segundo fator é a demanda externa. As pedras são extremamente cobiçadas na Ásia, especialmente na medicina tradicional chinesa. Segundo a cultura oriental, esses cálculos possuem propriedades terapêuticas potentes, sendo utilizados no tratamento de febres altas, doenças hepáticas e inflamações graves.

De acordo com portais especializados em agronegócio, o preço do quilo da pedra de fel pode variar entre R$ 300.000,00 e R$ 1.000.000,00 . Quando analisado por grama, o valor de pedras de alta qualidade — aquelas inteiras, de coloração alaranjada e bom tamanho — oscila entre R$ 600,00 e R$ 1.400,00. Para efeito de comparação, a grama do ouro tem sido negociada na faixa de R$ 800,00 no final de 2025.

Wagyu: a carne que lidera o ranking gastronômico

Embora a pedra de fel detenha o título de "item" mais caro devido à sua densidade de valor, quando o assunto é estritamente alimentar, a liderança muda de mãos. No contexto gastronômico, os cortes da raça japonesa Wagyu são, indiscutivelmente, os mais valorizados do mundo.

O diferencial do Wagyu está em sua genética, que favorece o alto grau de marmoreio. O termo "marmoreio" refere-se à gordura intramuscular que se entremeia nas fibras da carne, criando um visual que lembra o mármore. Essa característica garante uma maciez inigualável e um sabor amanteigado que diferencia o produto de qualquer outra carne bovina convencional.

No varejo brasileiro especializado, cortes como o Ancho ou a Picanha de Wagyu com classificação alta (como o famoso A5 ou BMS 8-9) podem ultrapassar a barreira de R$ 1.500,00 por quilo . A produção desse tipo de gado exige manejo diferenciado, nutrição balanceada e um tempo de confinamento específico para que a deposição de gordura ocorra da maneira correta, o que justifica o valor elevado na gôndola.

Outros tesouros da biotecnologia

Além da carne e das pedras da vesícula, a pecuária moderna fornece outros subprodutos de alto valor agregado, essenciais para setores de tecnologia e ciência. Um exemplo importante é o Soro Fetal Bovino .

Este fluido é amplamente utilizado em laboratórios de pesquisa e na indústria farmacêutica para a cultura de células e desenvolvimento de vacinas. Embora não atinja o valor unitário da pedra de fel, um frasco de apenas 500 ml de Soro Fetal Bovino pode custar mais de R$ 10.000,00 , dependendo da pureza e da certificação de origem. Esses dados reforçam a importância do boi para a economia global, indo muito além da alimentação. Do couro aos insumos farmacêuticos, o animal é uma fonte de recursos que movimenta cadeias produtivas complexas e de altíssimo valor financeiro.

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