
Há 118 anos, o navio Kasato Maru atracava no Porto de Santos (SP) trazendo 781 imigrantes japoneses. Após 1908, cerca de outros 190 navios vindos do Japão fizeram o mesmo trajeto trazendo japoneses, que em busca de “ouro verde” (café) deixaram o Japão para trabalhar em lavouras brasileiras.
Segundo dados do Museu da Imigração, o ápice da imigração japonesa no Brasil ocorreu entre os anos de 1926 e 1935, com cerca de 240 mil japoneses. Hoje, estima-se que existam mais de 2 milhões de descendentes destes imigrantes no Brasil.
O movimentou influenciou, não somente a cultura brasileira, mas principalmente, a agricultura. Com a chegada dos imigrantes, que vieram inicialmente para atuar em lavouras de café no interior de São Paulo, outras áreas ganharam projeção no campo, principalmente as culturas de algodão e de hortaliças e frutas. E com isso, hábitos alimentares também foram introduzidos no país.
A revolução na mesa dos brasileiros
Os imigrantes japoneses foram os responsáveis diretos pela introdução ou pela grande difusão de alimentos como acelga, couve, berinjela e rabanete . Itens como nabo, cebolinha, pepino japonês, caqui, maçã, pera e uva também passaram a fazer parte do cardápio do país por causa da colônia.
Essa produção em larga escala permitiu o estabelecimento de cinturões verdes determinantes para o abastecimento em São Paulo e no Paraná . A transição da monocultura do café para a policultura de alimentos consolidou novas técnicas de agricultura intensiva. Registros oficiais da Embrapa corroboram o papel indispensável dosnikkeis(descendentes)nessa mudança.
Na Região Norte, os núcleos de Tomé-Açu (PA), Maués (AM) e Parintins (AM) impulsionaram a economia local a partir de 1929. A região estava estagnada desde o fim do ciclo da borracha. Os japoneses introduziram com sucesso culturas exóticas como a pimenta-do-reino e a juta na Amazônia, criando novos polos econômicos.
No interior de São Paulo, os japoneses cultivaram algodão em larga escala, além de terem criado polos de produção do verdadeiro chá , como na região de Registro. Em todo o Brasil, apenas quatro propriedades rurais familiares são responsáveis pelo cultivo do chá no Brasil.
Associativismo e o avanço no Cerrado
Além do trabalho direto no campo, a colônia japonesa revolucionou o agronegócio brasileiro por meio do associativismo. Os imigrantes lideraram a criação da histórica Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC), fundada em 1927. A organização tornou-se um marco do cooperativismo nacional até o encerramento de suas atividades em 1994.
Na década de 1970, parcerias técnico-científicas entre os governos do Brasil e do Japão abriram novas fronteiras agrícolas. O esforço conjunto ajudou a corrigir o solo ácido e permitiu o desenvolvimento do Cerrado para a produção comercial de soja.
O avanço tecnológico no setor de maquinário agrícola também tem forte DNA japonês por meio da trajetória de Shunji Nishimura. O imigrante fixou-se em Pompeia (SP), onde fundou a Jacto. Foi Shunji quem inventou a primeira colheitadeira de café do mundo, a pioneira Jacto K-3. Ele criou a máquina após sofrer, quando criança, para colher café manualmente nas lavouras,
A companhia se transformou em um império global que exporta maquinário para dezenas de países. Em 1979, Nishimura instituiu a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia. A entidade mantém o foco voltado para a educação e para a inovação tecnológica no campo.
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