O professor Gustavo Pessoa, especialista em riscos no sistema financeiro e pesquisador da FGV, esteve presente na audiência realizada recentemente nos Estados Unidos, que discutiu a possível imposição de tarifas a produtos brasileiros. Em entrevista à BandNews TV, ele relatou detalhes sobre o encontro, destacando o caráter técnico das apresentações e o impacto das discussões no ambiente.
Segundo o professor, o evento contou com participação de empresas e conselhos de classe americanos, além de associações brasileiras, que defenderam a não imposição de tarifas . "A indústria americana depende desses produtos. As apresentações foram em um espírito técnico cooperativo muito bacana", afirmou Gustavo. Ele destacou ainda que algumas associações americanas pediram a imposição de taxas, enquanto representantes brasileiros argumentaram contra as medidas por diversos motivos.
O pesquisador relatou que, apesar de pequenos desvios, como pedidos de tarifas por associações americanas, a recepção técnica foi considerada positiva . "Estando lá nos traz informações importantes, não só técnicas, mas também de colher o sentimento ali do pessoal", disse. Gustavo mencionou que alguns temas ficaram de fora, como a carne brasileira , e ressaltou o discurso do senador Flávio Bolsonaro, que destoou dos demais por seu caráter político.
Sobre a participação de Flávio Bolsonaro, Gustavo explicou: "O Flávio já chegou atrasado, atrasou o início da sessão. Ele chegou ali junto com o Eduardo Bolsonaro e mais três assessores. Você vê que o clima mudou. Não paravam de tirar foto, falar ao telefone, fazer filmagens num recinto que é estritamente proibido fazer qualquer tipo de gravação." Segundo o professor, o senador e sua equipe foram repreendidos pela direção do evento. O discurso de Flávio Bolsonaro trouxe críticas ao STF e ao presidente Lula, além de ressaltar que o Pix foi uma criação do governo Bolsonaro. "Ele tentou criar um fato totalmente político a partir disso", pontuou Gustavo.
O pesquisador afirmou que, após o discurso, Flávio Bolsonaro evitou contato com a imprensa, saindo por uma saída alternativa. Sobre o resultado da audiência, Gustavo avaliou: "Me parece que eles estavam muito interessados nos nossos argumentos. Viram expressar muito bem a importância dessa importação e da não imposição das tarifas, não só para o Brasil, mas para o próprio mercado americano que isso iria trazer."
O professor concluiu que, apesar de a decisão final não caber diretamente à presidência da mesa, há uma percepção positiva em relação aos argumentos apresentados, baseados em dados técnicos . "Documentos nas nossas explicações, nos nossos argumentos, eles são muito técnicos, muito baseados nos dados que nós estávamos levando para eles", ressaltou Gustavo.
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