O impasse entre Brasil e União Europeia em relação à exportação de carnes ganhou novos desdobramentos nesta semana. O bloco europeu formalizou o veto à importação de carnes e outros produtos brasileiros, alegando que o país não apresentou documentação suficiente para comprovar o cumprimento das exigências sanitárias sobre o uso de medicamentos para combater bactérias, vírus e parasitas na pecuária.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não atende atualmente às regras do bloco sobre esses medicamentos, o que motivou a restrição. A decisão, que passa a valer a partir de 3 de setembro, pode resultar em uma perda anual próxima a 2 bilhões de dólares para o setor brasileiro, conforme estimativas divulgadas.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu com o comissário de comércio da União Europeia para buscar uma solução para o impasse. A iniciativa do governo brasileiro visa comprovar que o país segue protocolos sanitários rígidos e tentar reverter o veto europeu à importação de carnes e derivados.
Na lista divulgada pelo bloco europeu, o Brasil foi excluído da autorização para exportar carnes, enquanto outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permanecem com permissão para acessar o mercado europeu. Entre os produtos afetados pelo bloqueio estão carne e derivados de boi, frango e até cavalos.
Segundo entidades do setor, o destino europeu representa menos de 4% das exportações brasileiras de carne bovina. Ainda assim, as associações destacam o impacto negativo da restrição. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) afirmou que “a carne brasileira segue rígidos controles” e atende a mais de 170 países. Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) ressaltou que “o bloqueio não se deve a problemas sanitários reais ou contaminação”.
Enquanto o governo federal busca reverter a decisão, a movimentação no Congresso e entre os representantes do setor produtivo segue intensa, na tentativa de minimizar os prejuízos para a cadeia de exportação e reforçar a credibilidade do Brasil perante o mercado internacional.
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