
O Brasil é o país que mais utiliza defensivos biológicos no mundo e a taxa de adoção das tecnologias biológicas cresce em ritmo acelerado, entre 9% e 15% ao ano. De acordo a CropLife Brasil (CLB), associação que representa as indústrias de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias agrícolas, a utilização de bioinsumos cresceu 13% na safra 2024/2025 no Brasil e, por isso, as multinacionais do setor estão investindo em áreas experimentais e novos produtos em diferentes regiões do país.
O tema é um dos mais discutidos no GAFFFF 2025 - Global Agribusiness Forum - que acontece no Allianz Parque nesta quinta-feira (5) e sexta-feira (6), em São Paulo. O evento é o maior do setor no mundo e reúne especialistas, cultura gastronômica, música e até rodeio.
Para o líder global de biológicos da Corteva, Frederic Beudot, o Brasil é, de fato, uma referência na adoção de tecnologias biológicas no campo. “O Brasil é o único lugar no mundo em que isso [a adoção de produtos biológicos] está acontecendo e, apesar do ritmo acelerado de adoção, ainda poderia estar mais avançado”, disse o executivo. “Isso porque há muitos desafios no setor, mas o fato é que, se o agronegócio não adotar tecnologias e inovações sustentáveis como os produtos biológicos, não vai dar mais, vamos bater no muro”. Segundo Beudot, o manejo integrado entre defensivos biológicos e químicos é uma das únicas alternativas que existem para o aumento da produtividade das lavouras. “Por muitos anos, usamos muitos defensivos químicos e isso gerou uma resistência nas pragas e doenças. O uso do biológico reduz a pressão das pragas, diminuindo sua população e assim, o químico ainda consegue agir sobre elas”.
A Corteva está apostando fortemente na área de pesquisa e desenvolvimento de produtos biológicos e o seu maior campo de testes é o Brasil (apesar de também manter experimentos em outros países). De acordo com o executivo, a empresa investe US$ 4 milhões ao dia na área de P&D e boa parte destes recursos são para a área de biológicos. “Há linhas de desenvolvimento importantes como a ampliação da usabilidade destes produtos, com uma extensão da vida útil deles na fazenda, mas também apostamos na edição gênica de microrganismos”.
Segundo ele, estas tecnologias [edição gênica de bactérias, vírus e fungos] devem ser novidades que vão chegar ao mercado em 15, 20 anos porque ainda é preciso que os países determinem os marcos regulatórios para as pesquisas científicas. “Estes microrganismos não chegam ao mercado sem serem exaustivamente testados e aprovados, mas temos que trabalhar com autoridades: qual é o arcabouço correto para a ciência definir parâmetros corretos?”, alerta o executivo. “Há 30 anos tivemos os primeiros transgênicos no mundo e hoje, temos a edição gênica, que é algo bem diferente, avançado e seguro. À medida que a medicina avança, também avançamos na agronomia”.
Como os biológicos agem
Defensivos biológicos são produzidos a partir de elementos encontrados na natureza como bacterias, vírus, fungos e outros microrganismos e substâncias, como feromônios, que agem como predradores de pragas. Podem ser utilizados como agentes de biocontrole ou de incentivo ao desenvolvimento de plantas, como biofertilizantes.
O Brasil conta hoje com mais de 170 empresas produtoras de bioinsumos, responsáveis por um portfólio que ultrapassa mil produtos registrados, consolidando o país como um polo de excelência no desenvolvimento de soluções agrícolas sustentáveis aplicadas à agricultura tropical.
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