Agro

FPA quer liberar crédito rural barrado por satélite

Produtores enfrentam dificuldades após bancos utilizarem dados do monitoramento do desmatamento na Amazônia para restringir financiamentos agrícolas.

Da redação

DA REDAÇÃO

04/05/2026 • 12:04 • Atualizado em 04/05/2026 • 12:04

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensifica as movimentações em Brasília para reverter restrições ao crédito rural impostas por critérios de monitoramento ambiental. O foco central da bancada é a suspensão de uma resolução que utiliza dados do PRODES — sistema de monitoramento do desmatamento na Amazônia por satélite — como base para a negativa de financiamentos.

Segundo relatos de produtores rurais , instituições financeiras estão bloqueando o acesso a recursos essenciais para a produção com base nessas informações geoespaciais.

O impasse surge em um momento de pressão sobre os custos de produção. Além do acesso ao crédito, a agenda da FPA inclui discussões sobre o impacto da alta do preço do diesel no setor produtivo e a tramitação do projeto de lei dos safristas.

Esta última proposta busca criar um marco legal para trabalhadores temporários, permitindo que mantenham benefícios sociais, como o Bolsa Família, durante o período de contrato por safra, visando reduzir a insegurança jurídica e a escassez de mão de obra no campo.

Impacto no financiamento e posição da CNA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifesta preocupação com o rigor das normas bancárias atuais. Para a entidade, existe uma transferência indevida de responsabilidade: os bancos estariam assumindo um papel de fiscalização ambiental que cabe aos órgãos competentes, utilizando dados de satélite de forma punitiva antes mesmo de qualquer processo administrativo ou direito de defesa do produtor.

Essa prática, segundo a CNA, resulta em prejuízos diretos e imediatos à viabilidade econômica de propriedades rurais.

Para os representantes do setor, o uso dos dados do PRODES para o bloqueio automático de crédito ignora as particularidades de cada propriedade e a legalidade de ocupações já consolidadas.

A Frente Parlamentar argumenta que o monitoramento deve servir como ferramenta de gestão e combate a crimes ambientais, mas não pode atuar como um mecanismo de exclusão financeira que desabastece o produtor que cumpre a legislação.

O grupo parlamentar planeja levar a discussão aos ministérios da Agricultura e da Fazenda, buscando uma revisão nas normas de governança socioambiental das instituições financeiras. O objetivo é garantir que o monitoramento via satélite seja integrado a critérios mais amplos de verificação, evitando que inconsistências nos dados impeçam o fluxo de capital para o agronegócio.

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