Agro

Feijão carioca tem alta com demanda aquecida e oferta limitada de grãos

Transição entre safras e busca por lotes de qualidade superior impulsionam cotações; feijão preto segue com demanda inconsistente e preços estáveis

VIVIANE TAGUCHI

27/04/2026 • 14:40 • Atualizado em 27/04/2026 • 14:40

Demanda aquecida e menor oferta de feijão carioca no mercado eleva o preço para o consumidor
Demanda aquecida e menor oferta de feijão carioca no mercado eleva o preço para o consumidor - Foto: Sebastião de Araújo/Embrapa

Os preços do feijão carioca registraram altas expressivas na última semana, impulsionado pelo período de transição entre o encerramento da primeira safra e o início da segunda. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) , esse movimento de alta é sustentado por uma combinação de demanda aquecida por parte dos compradores e a oferta limitada de grãos que apresentam melhor qualidade no campo.

O comportamento atual dos preços do feijão indica um mercado firme, com valorizações disseminadas pelas principais regiões produtoras. Os pesquisadores do Cepea ressaltam que há uma boa aceitação dos compradores para l otes de grãos de padrão superior, o que reforça a tendência de alta no curto prazo.

Desequilíbrio entre oferta e demanda

Esse padrão de preços sugere um desequilíbrio momentâneo no setor produtivo. Enquanto a primeira safra se aproxima do fim , a disponibilidade de feijão carioca com características ideais de cor e tamanho diminui, elevando a competição pelos melhores lotes disponíveis antes que a segunda safra ganhe volume no mercado.

O termo "primeira safra" refere-se ao ciclo de plantio realizado tradicionalmente entre os meses de setembro e novembro, com colheita no início do ano. Já a "segunda safra", também conhecida como "safrinha", é plantada entre janeiro e março. A transição entre esses períodos costuma gerar flutuações de preços devido à redução sazonal dos estoques.

Mercado de feijão preto opera com cautela

Diferente do cenário observado no feijão carioca, o mercado de feijão preto apresenta um ritmo mais lento. Segundo o Cepea, a demanda inconsistente tem limitado a capacidade de reação dos preços para este tipo de grão.

Mesmo em contextos pontuais onde a oferta é menor, a falta de uma procura constante por parte dos consumidores e da indústria impede que as cotações do feijão preto acompanhem o ritmo de valorização do carioca. Especialistas avaliam que o consumo de feijão preto é mais estável e menos sensível a variações de qualidade imediata quando comparado à preferência nacional pelo tipo carioca.

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