
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que grandes importadores de produtos avícolas devem retomar “o mais rápido possível” as compras do Brasil. A afirmação foi feita nesta quarta-feira (4) durante entrevista coletiva. Segundo Fávaro, ele está negociando com países como China, México e a União Europeia o fim do embargo até o dia 18 de junho. As exportações brasileiras de produtos avícolas foram suspensas desde o dia 16 de maio quando foi identificado um caso de gripe aviária de alta patogenicidade em uma granja no Rio Grande do Sul.
Os protocolos sanitários estabelecidos entre países determinam que, em caso de doenças como a gripe aviária de alta patogenicidade (IAAP), a suspensão do comércio internacional é automaticamente suspensa e pode ser retomada após 28 dias sem nenhum novo caso. Esse prazo terminaria em 18 de junho. "É provável que grandes compradores possam diminuir o embargo antes dos 28 dias", disse Fávaro, citando negociações em curso com mercados como China, União Europeia e México. Esses países restringiram as compras de todas as regiões brasileiras e, com a redução do embargo, as suspensões ficariam restritas ao Rio Grande do Sul.
Fávaro revelou que a União Europeia (UE) já encaminhou um questionário técnico ao Ministério da Agricultura, dentro de um processo formal de avaliação para a flexibilização do embargo. "Há indício de que a UE possa flexibilizar suspensões ao frango brasileiro", afirmou. Ele também disse que a China, maior comprador da proteína brasileira, "deu indícios de que está avaliando regionalização para gripe aviária", o que abriria caminho para suspensões apenas localizadas, e não nacionais. Países como o Japão, por exemplo, adotaram a regionalização e, desde a confirmação do caso de gripe aviária, deixaram de importar apenas produtos avícolas originários de Montenegro (RS).
Apesar da suspensão das exportações de carne de frango para 38 destinos e de restrições adicionais ao produto gaúcho por parte de outros 14 países, o ministro avalia que o impacto comercial tem sido limitado. "A redução do fluxo por suspensões das exportações de frango não é impactante", declarou. Ele argumentou que, além da robustez do sistema sanitário brasileiro, o histórico de diálogo com os parceiros comerciais contribui para a expectativa de uma retomada gradual das vendas externas.
Frango está mais barato no Brasil
Apesar de afirmar que o impacto [da suspensão das exportações] é irrelevante, Fávaro afirmou que os preços da carne de frango já registraram queda de 7% após a confirmação de gripe aviária no no Rio Grande do Sul. No entanto, segundo ele, o movimento não é motivo de preocupação para o setor produtivo. "A redução dos preços de frango não é alarmante, deve-se a redirecionamento para o mercado interno", explicou Favaro.
Com os embargos temporários às exportações, parte da produção inicialmente destinada ao mercado externo passou a ser absorvida internamente, o que influenciou na queda dos preços. O excedente, de carne de frango e ovos, que seria exportado está sendo absorvido no mercado doméstico, o que aumenta temporariamente a oferta e pressiona os preços. O impacto, no entanto, tende a ser limitado. A tendência é que o recuo se estenda por, no máximo, três meses - tempo necessário para que as granjas ajustem o alojamento de pintinhos à nova demanda.
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