
As exportações brasileiras de carne bovina, nos quatro primeiros meses do ano, totalizaram 953 mil toneladas , uma alta de 15,2%, se comparadas ao mesmo período do ano passado. O ritmo de exportações aumentou consideravelmente neste ano, encarecendo o produto no mercado interno.
Por mês, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os pecuaristas brasileiros estão enviando cerca de 200 mil toneladas de carne para outros países. Em abril, este volume foi de 252 mil toneladas.
O principal destino, até agora, é a China, que já importou mais de 460,8 mil toneladas , chegando na metade da cota de exportações permitidas para o Brasil em 2026. O governo chinês afirmou que, na verdade, já importou 553 mil toneladas de carne em quatro meses. Nos quatro meses do ano passado, por exemplo, a China havia comprado 387 mil toneladas de carne bovina brasileira. O volume representa quase metade da cota de exportações permitida ao Brasil para a China em 2026.
Em dezembro do ano passado, o governo chinês determinou que, neste ano, o país forneça até 1,1 milhão de toneladas e o excedente será taxado em 55%, o que inviabiliza as vendas, economicamente, para os brasileiros. Em todo o ano passado, as vendas de carne para a China somaram 1,6 milhão de toneladas. Somente no mês passado, o país asiático importou 135,472 mil toneladas, 32,8% a mais que no mês de março.
Desafios sanitários na União Europeia
Apesar dos números recordes, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) alertam para uma situação desafiadora para o setor nos próximos meses. O Brasil enfrenta obstáculos tanto na gestão de cotas chinesas quanto em novas restrições impostas pela União Europeia.
O bloco europeu anunciou nesta semana uma lista de países que cumprem as exigências contra o uso excessivo de antimicrobianos em produtos de origem animal. Os antimicrobianos são medicamentos, como antibióticos, utilizados para combater microrganismos em animais. A Comissão Europeia excluiu o Brasil desta lista, à espera de comprovações, até o dia 3 de setembro.
As exportações de carne bovina para os países membros da União Europeia representam 4% do faturamento, um percentual considerado baixo para o setor, mas com faturamento alto, em torno de Us$ 2 bilhões ao ano. Diferentemente do que é exportado à China, os cortes bovinos que seguem para a Europa são “de primeira".
O governo brasileiro declarou, nesta quarta-feira (13) que o problema é mais ‘bucrocrático e político’ do que técnico ou sanitário. A diplomacia nacional junto à União Europeia se reunirá com a Comissão Europeia nas próximas semanas para entender o problema e buscar uma solução para evitar o bloqueio das exportações, a partir de setembro.
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