
Após dois meses da imposição do tarifaço de Donald Trump, as importações de cafés do Brasil pelos americanos caíram 52,8% em setembro, apontou o Conselho dos Exportadores de Cafés (Cecafe). Agora, é a Alemanha o país que mais compra os cafés brasileiros. De acordo com o Cecafe, em setembro, as exportações brasileiras de café somaram 3,750 milhões de sacas de 60 kg (considerando todos os tipos de cafés). Esse volume mostra uma queda de 18,4% em relação ao mesmo mês de 2024. Em receita cambial, o desempenho é inverso. As exportações geraram uma receita 11,1% maior no mesmo intervalo comparativo através do ingresso de US$ 1,369 bilhão.
Neste ano, o Brasil exportou ao todo 29,105 milhões de sacas, o que representa um declínio de 20,5% frente aos 36,593 milhões nos nove primeiros meses do ano passado. A receita afere um incremento de 30% na mesma comparação, saltando de US$ 8,499 bilhões para os atuais US$ 11,049 bilhões.
“O desempenho em setembro, na safra e no acumulado do ano eram esperados após termos exportado volume recorde de café em 2024 e vermos a disponibilidade do produto diminuir, com menores estoques nos armazéns e safra novamente afetada por adversidades climáticas. E, claro, o declínio foi potencializado pelo tarifaço de 50% imposto pelo presidente americano, Donald Trump, sobre os cafés do Brasil, que impactou fortemente os embarques aos EUA, que são o maior consumidor mundial e o principal importador do produto brasileiro”, analisa o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira.
No mês passado, o segundo com a vigência das taxas, os Estados Unidos reduziram em 52,8% as importações dos cafés do Brasil ante setembro de 2024, adquirindo 332.831 sacas. Com isso, os norte-americanos desceram ao terceiro posto no ranking mensal. A líder foi a Alemanha (654.638 sacas) e a segunda colocada a Itália (334.654 sacas), mas que também registraram quedas nas compras, de 16,9% e 23%, respectivamente.
Diante do tarifaço, o presidente do Cecafé afirma que não é possível renunciar o mercado dos EUA, que permanecem na liderança das exportações dos cafés do Brasil no acumulado do ano e que, após as sinalizações favoráveis do presidente Trump, na Assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU) e em ligação ao presidente Lula, o governo brasileiro precisa agir com celeridade.
“O Poder Executivo precisa se mobilizar com urgência em prol do país. Não existe mais o receio de não haver abertura ao diálogo diplomático e os exportadores brasileiros, em nosso caso específico do café, já sofrem fortes impactos nesses dois meses de vigência das taxas, com nossos parceiros importadores americanos solicitando a postergação ou mesmo o cancelamento dos negócios devido ao elevado encarecimento do produto impulsionado pelo tarifaço”, cobra.
Ferreira informa que a entidade, após a ligação entre os presidentes de Brasil e EUA, solicitou reunião com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, que lidera o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, para reforçar a relevância e a interdependência dos dois países no café.
“Somos os maiores produtores e exportadores globais e os Estados Unidos os principais importadores e consumidores do mundo. Respondemos por mais de um terço de tudo que é movimentado com café nos EUA, onde 76% da população consome a bebida. Não podemos relativizar o mercado americano para nossos cafés, tampouco eles podem abrir mão do nosso produto, pois não há outro fornecedor que supra em volume e qualidade o que ofertamos. Os setores privados brasileiro e americano fizeram e seguem fazendo seu dever de casa, tanto que o café foi incluído em uma lista de possíveis isenções das tarifas, mas, para isso, é necessário haver relacionamento comercial bilateral. Ou seja, é mais do que hora de agir”, exclama.
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