Agro

Falta de homem no Brasil é confirmada em pesquisa feita pelo IBGE

Estados em que o agronegócio é a principal atividade possuem mais homens do que mulheres; já em SP e RJ, a população feminina é maior

VIVIANE TAGUCHI

17/04/2026 • 14:44 • Atualizado em 17/04/2026 • 14:44

Pesquisa diz que existem 95 homens para cada 100 mulheres no Brasil
Pesquisa diz que existem 95 homens para cada 100 mulheres no Brasil - Foto: Freepik

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025 divulgada nesta sexta-feira (17), que a população feminina é majoritária no Brasil. Em regiões mais urbanizadas, como Rio de Janeiro e São Paulo, sobram mulheres, enquanto em outras regiões, onde o agronegócio é a principal atividade, há mais homens.

O índice médio nacional aponta a existência de 95 homens para cada 100 mulheres , consolidando uma tendência de distanciamento demográfico entre os gêneros observada nos últimos anos.

A diferença populacional acentua-se conforme a faixa etária avança. No Rio de Janeiro, entre pessoas com mais de 60 anos, a proporção cai drasticamente para 70 homens para cada 100 mulheres . Em São Paulo, o cenário é semelhante, com 76 homens para o mesmo grupo de 100 mulheres . Ao todo, o Brasil registra cerca de 6 milhões de mulheres a mais do que homens em seu território.

Especialistas e demógrafos indicam que o fenômeno é impulsionado por dois fatores principais: a mortalidade masculina precoce e a maior longevidade feminina. Embora, por razões biológicas, nasçam de 3% a 5% mais homens do que mulheres em escala global, essa vantagem numérica masculina se perde no Brasil por volta dos 24 anos.

A partir da vida adulta jovem, o índice de mortes entre homens dispara devido a causas externas, como violência urbana e acidentes graves. Em contrapartida, as mulheres possuem uma expectativa de vida superior. Esse prolongamento da vida feminina é atribuído a hábitos de saúde preventivos, como consultas médicas regulares e melhor alimentação, o que explica a predominância de mulheres nas faixas etárias mais avançadas.

A influência do agronegócio na população

A tendência de maioria feminina se repete em quase todos os estados brasileiros, mas há exceções pontuais motivadas pela economia local. Estados como Tocantins (105,5 homens por 100 mulheres), Mato Grosso (101,1) e Santa Catarina (100,2) apresentam um superávit masculino. Segundo a análise demográfica, o tipo de oferta de trabalho nessas regiões influencia diretamente o fluxo populacional.

Cidades e estados com forte presença de atividades como a mineração e o agronegócio tendem a atrair e fixar mais homens devido à natureza do trabalho de campo e operacional. No entanto, com a transição demográfica brasileira — caracterizada pelo envelhecimento da população e a redução na taxa de natalidade —, a tendência geral é que a diferença em favor das mulheres se torne ainda mais evidente nas próximas décadas.

Qualidade de vida

O desequilíbrio numérico também levanta discussões sobre o comportamento social e a qualidade de vida. Estudos internacionais, como os do professor Paul Dolan, daLondon School of Economics, sugerem que a ausência de um parceiro não significa necessariamente uma perda de bem-estar para as mulheres. Segundo a pesquisa, mulheres solteiras e sem filhos tendem a relatar níveis altos de felicidade e saúde.

A análise indica que, enquanto o casamento costuma beneficiar os homens — que passam a ter mais apoio emocional e cuidados com a saúde —, ele frequentemente sobrecarrega as mulheres. Muitas vezes, elas acumulam duplas ou triplas jornadas, conciliando obrigações profissionais com o cuidado doméstico e dos filhos, o que reforça a complexidade do cenário demográfico atual.

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