Agro

Espírito Santo se destaca como produtor de cafés especiais "da montanha"

Agricultores familiares capixabas deixam de produzir café "comum" e apostam em grãos especiais com alto valor agregado

Da redação

DA REDAÇÃO

07/07/2026 • 13:23 • Atualizado em 07/07/2026 • 13:23

O Espírito Santo vem se consolidando como um dos principais polos produtores de cafés especiais no Brasil, impulsionando a economia local, valorizando a agricultura familiar e transformando a vida de milhares de produtores nas montanhas capixabas . O estado, que antes se destacava apenas pelo café tradicional, agora ostenta prêmios nacionais e reconhecimento internacional pela qualidade de seus grãos.

A transformação do setor cafeeiro capixaba foi evidenciada em Santa Teresa, onde uma propriedade familiar se destacou após participar do 1º concurso de café especial realizado no estado, em 2011. A iniciativa marcou o início de uma nova fase para os pequenos produtores, que passaram a competir de igual para igual no mercado nacional e internacional. "É uma satisfação imensa", destacou uma das produtoras ao comentar o reconhecimento de sua propriedade como uma das melhores do Brasil.

O fortalecimento econômico do segmento veio acompanhado do cooperativismo e do desenvolvimento de projetos turísticos , que agregam valor ao café e atraem visitantes ao Espírito Santo. "A gente percebeu que o nosso estado desenvolveu nos últimos anos uma variedade muito grande em relação ao café. Hoje o Espírito Santo, se a gente fosse falar... todo o projeto que nos liga ao café a gente tem interesse e o café traz novas conexões", afirmou uma das produtoras.

O conhecimento técnico, aliado à assistência especializada, tem sido fundamental para elevar a qualidade e a gestão dos negócios familiares. Com apoio da assistência técnica e gerencial do Senar Espírito Santo, propriedades tradicionais evoluíram para empresas rurais de destaque, expandindo o legado familiar da lavoura para cafeterias. "O café é o legado da família, o que nos une", ressaltou uma das produtoras. Ela contou que o sítio, herdado do avô, sempre teve o café como parte central da rotina familiar, mesmo antes de conhecer o conceito de café especial.

O diferencial, segundo as produtoras, está na união familiar e na busca por aprimoramento constante. "O pulo do gato veio quando a gente se une para poder mostrar o que a gente faz para as pessoas", afirmou uma delas, destacando a importância do trabalho conjunto desde a produção no campo até a xícara do consumidor.

A assistência técnica foi apontada como fator essencial para o sucesso. "Com essa parte gerencial a gente hoje consegue ter essa sabedoria futura, para poder gerir o nosso negócio", explicou uma das responsáveis pela propriedade, enfatizando que o acompanhamento especializado permitiu planejamento, controle de recursos e visão de futuro. Após a pandemia, a dedicação ao café especial se intensificou e a parceria com o Senar possibilitou avanços importantes na gestão.

Pensando no futuro, as produtoras demonstram otimismo e desejo de expansão. "A gente pensa em ampliar. Esperamos que o café chegue a locais que a gente ainda não tem ideia", projetaram.

O café especial do Espírito Santo representa mais do que desenvolvimento econômico: é símbolo de família, memória e pertencimento. O sabor que conquistou o Brasil e o mundo carrega, em cada xícara, a identidade e o orgulho de um estado que encontrou na própria origem a sua maior riqueza.

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