
Em um cenário global de crescente preocupação com a qualidade dos alimentos e os impactos ambientais da produção agrícola, a Korin Bio promoveu, nesta terça-feira (14), um encontro voltado à discussão de alternativas sustentáveis baseadas na chamada Agricultura Natural — método produtivo inspirado nos ensinamentos do filósofo japonês Mokiti Okada .
O evento reuniu especialistas, pesquisadores e profissionais da área da saúde e do agro brasileiro para refletir sobre os desafios atuais da agricultura e apresentar soluções centradas na regeneração do solo e no equilíbrio do microbioma. A primeira palestra contou com a participação do diretor da empresa, Sérgio Homma, e do microbiologista agrícola Ademir Durrer Bigaton.
Logo na abertura, Homma destacou que o modelo produtivo atual enfrenta um momento crítico . “O cenário da produção de alimentos está realmente muito preocupante, principalmente pelo uso intensivo de agrotóxicos, seus riscos e consequências”, afirmou. Segundo ele, o Brasil ocupa uma posição alarmante no consumo de agroquímicos, com níveis que chegam a ser o dobro de países europeus e dos Estados Unidos.
Veja abaixo:
Apesar de reconhecer a alta produtividade agrícola nacional, o diretor alertou para a fragilidade do sistema. “Isso demonstra o quanto o nosso modelo de agricultura ainda está vulnerável. O resultado são alimentos contaminados por resíduos de agrotóxicos, o que é extremamente preocupante ”, disse.
Homma também ressaltou que o impacto desses produtos vai além dos alimentos. Estudos citados durante a apresentação indicam a presença de contaminantes químicos em diferentes biomas e até em organismos distantes da atividade agrícola, evidenciando a ampla dispersão desses poluentes no meio ambiente.
Diante desse cenário, o diretor defendeu a necessidade de uma mudança estrutural no modelo de produção. “Não se trata apenas de substituir insumos, mas de substituir o processo. O foco precisa estar no solo, na origem de tudo”, afirmou. Ele reforçou que a proposta da Korin é atuar diretamente na causa dos desequilíbrios, e não apenas nos seus efeitos.
A abordagem apresentada pela empresa se baseia no conceito de Agricultura Natural, que busca potencializar a força do solo por meio do equilíbrio biológico . “Quando o solo é puro, a vida floresce. Produzir alimentos não é apenas uma atividade econômica, é um compromisso com a vida”, completou.
O microbiologista Ademir Durrer Bigaton aprofundou o debate ao explicar o papel dos microrganismos nos ecossistemas . Segundo ele, esses organismos estão presentes há bilhões de anos e desempenham funções essenciais para a manutenção da vida no planeta. “Eles não servem apenas para causar doenças ou produzir alimentos. Na verdade, eles fazem praticamente tudo”, destacou.
Bigaton explicou que o microbioma — conjunto de microrganismos presentes no solo, nas plantas, nos animais e no corpo humano — é fundamental para a saúde dos ecossistemas. “Tudo está interligado. O solo é o maior reservatório de microrganismos e é dele que vem a base da vida”, afirmou.
O especialista também chamou atenção para o conceito de disbiose, que representa o desequilíbrio desse microbioma. Segundo ele, práticas agrícolas convencionais, como o uso excessivo de pesticidas e fertilizantes químicos, impactam diretamente essa diversidade microbiana. “Quando perdemos essa diversidade, surgem problemas como pragas, doenças e até impactos na saúde humana”, explicou.
Durante a palestra, Bigaton destacou ainda a conexão entre solo, alimento e organismo humano. “Se não consumimos alimentos provenientes de um solo saudável, isso afeta diretamente o nosso microbioma intestinal. E isso tem relação com processos inflamatórios e diversas doenças”, disse.
Ele também ressaltou que a solução não está em atuar de forma isolada. “Não é um ou dois microrganismos que vão resolver o problema. É o equilíbrio de milhares de espécies interagindo entre si”, afirmou, citando estudos que identificaram mais de 30 mil espécies atuando conjuntamente em solos considerados saudáveis.
Ao final da apresentação, ambos reforçaram que a proposta da Korin vai além da substituição de insumos químicos por biológicos. O objetivo, segundo eles, é promover o reequilíbrio dos sistemas naturais por meio da modulação do microbioma.
“A gente não está preocupado apenas em combater pragas ou doenças, mas em restaurar o equilíbrio do sistema como um todo”, explicou Bigaton.
O evento também abordou as diferenças entre agricultura convencional, orgânica, natural e hidropônica. Segundo os palestrantes, enquanto o modelo orgânico busca substituir insumos químicos por alternativas menos agressivas, a agricultura natural propõe uma mudança mais profunda, focada na regeneração do solo.
“A causa das pragas não está nelas mesmas, mas no desequilíbrio do solo. É isso que precisa ser corrigido”, afirmou Homma.
A discussão mostrou que, diante dos desafios atuais da produção de alimentos, cresce a necessidade de repensar práticas agrícolas e adotar modelos que integrem ciência, sustentabilidade e saúde.
Para os especialistas, o caminho passa pelo entendimento de que solo, alimento e ser humano fazem parte de um mesmo sistema interdependente.
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