Agro

Como a conta de luz alta encarece os alimentos no Brasil

Energia elétrica é o item que mais impactou a inflação no Brasil em julho

VIVIANE TAGUCHI

12/08/2025 • 16:20 • Atualizado em 12/08/2025 • 16:20

Energia elétrica sobe e impulsiona alta de preços de alimentos
Energia elétrica sobe e impulsiona alta de preços de alimentos - Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

O custo da energia elétrica foi o item que mais influenciou o cálculo da inflação no Brasil. Entre os meses de janeiro e julho, o item já subiu 10,18% no país. Desde junho, início do inverno, período em que os gastos com energia sobem, as contas seguem a bandeira tarifária vermelha patamar 1, o que implica em R$ 4,46 adicionados em cada 100 KWh consumidos. Mas no final das contas, não é só a conta final de luz que pesa no bolso do consumidor. Em alta, a energia elétrica também deixa os alimentos mais caros. Entenda por que isso acontece:

Logo que o governo anuncia um reajuste na conta de luz, os preços de alimentos nos supermercados também começam a subir. Isso acontece porque a energia corresponde a 23,1% dos custos de itens da cesta básica, de acordo com um estudo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace).

A eletricidade é um item que faz parte dos custos de produção das cadeias produtivas. Da lavoura ao transporte e manutenção de alimentos, a energia é usada para que os alimentos cheguem até o consumidor em condições apropriadas para o consumo.

O peso da energia elétrica na vida do brasileiro

De acordo com uma pesquisa da Ex Ante Consultoria Econômica, realizada sob encomenda para a Abrace Energia, entre os anos 2000 e 2024, a tarifa de energia elétrica acumulou variação de 401,4%. O impacto é sentido mais diretamente pelos consumidores na hora de pagar a conta, porém, quando o custo da energia se aplica à indústria, o prejuízo é ‘invisível’ e pode ser ainda maior, já que os custos são repassados a outros produtos, como alimentos.

“É a energia que está embutida nos bens e serviços consumidos. Fazem parte dessa energia, por exemplo, a eletricidade empregada nos frigoríficos para manter a carne fresca e nas panificadoras para assar o pão, a energia elétrica necessária na fabricação de produtos de higiene e limpeza, ou a eletricidade contida nos materiais de construção empregados numa reforma”,aponta trecho do estudo.

De acordo com a pesquisa,para cada unidade de energia elétrica consumida diretamente pelas famílias brasileiras e pagas na conta de luz, são consumidas duas unidades adicionais de energia elétrica embutidas nas mercadorias e serviços. “A consequência imediata disso é que, ao se elevar as tarifas de energia elétrica das empresas brasileiras, aumenta-se o custo de produção da indústria, do comércio e dos serviços. O repasse dessa elevação de custos para os preços acaba onerando as despesas das famílias. O carro, a casa, o sabão e a carne mais caros provocam a redução do consumo e a perda de bem-estar”.

Energia elétrica na granja: frango e ovo mais caros

A participação da energia elétrica na produção de alguns produtos é tão grande que o peso no preço final de algumas cadeias produtivas torna-se muito elevado, como é o caso dos produtos avícolas e carnes.

De acordo com a Federação de Agricultura do Paraná (Faep), o custo com energia na produção avícola é um dos itens mais importantes e pode chegar a 35% do custo total de produção ou 20% se for considerado apenas o uso da energia elétrica. Nas granjas – tanto nas de galinhas poedeiras (ovos) como as de corte (carne) – a energia elétrica é um item usado 24 horas por dia.

Nas granjas, equipamentos elétricos são utilizados para acelerar processos de maturação das aves para abate, produção de ovos, aquecimento e resfriamento de galpões. No estudo da Abrace, a energia elétrica pesa 19,2% no preço do ovo.

Nos frigoríficos, a energia elétrica também é utilizada 24 horas por dia, já que todos os itens que resultam do abate necessitam de refrigeração. Neste caso, o custo adicional pode chegar à 27,2%, segundo a Abrace.

Pão e queijo

Outros itens da alimentação que são severamente impactados pelo custo da energia elétrica, segundo o estudo, são o pão francês. O preço do item subiu 509% entre os anos 2000 e 2024 e, desse total, 85% foi por culpa da energia. O mesmo acontece com o leite longa vida (86%) e o queijo (92%).

Segundo o presidente da Abrace Energia, Paulo Pedrosa, a "pressão silenciosa da energia nos preços tem sido um dos principais obstáculos à estabilidade econômica do país".

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