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El Niño já atua no clima do Brasil, mas será mais forte em setembro

Boletim aponta anomalia no Oceano Pacífico que pode superar evento de 2015; Sul registra temporais e seca ameaça Norte e Centro-Oeste

Da redação

DA REDAÇÃO

18/08/2026 • 17:32 • Atualizado em 18/08/2026 • 17:32

Lavoura de soja submersa devido às fortes chuvas no Rio Grande do Sul
Lavoura de soja submersa devido às fortes chuvas no Rio Grande do Sul - Foto: Emater/RS

O Instituto ClimaInfo lança o Boletim do El Niño para monitorar a rápida evolução do fenômeno climático e seus impactos na produção agrícola, na matriz energética e no regime hídrico do Brasil. A publicação semanal reúne levantamentos de agências e órgãos oficiais sobre precipitações, estiagens, queimadas e outros indicadores climáticos. A meta é contextualizar o avanço do evento em um cenário global de aquecimento atmosférico.

Os primeiros impactos já atingem o território nacional. No Rio Grande do Sul, o aumento expressivo das chuvas na última semana de julho afetou mais de 84 mil pessoas em 171 municípios gaúchos. Historicamente, os estados da Região Sul são os primeiros a registrar a influência do fenômeno, padrão que costuma se intensificar a partir da primavera.

O El Niño caracteriza-se pela elevação anormal da temperatura na superfície do Oceano Pacífico Equatorial. Em 2026, a anomalia térmica já atingiu 1,8°C, ritmo que supera as médias históricas observadas para esta época do ano.

Pesquisadores e meteorologistas preveem que a intensidade do atual evento pode superar o histórico El Niño observado entre 2015 e 2016. As projeções do modelo meteorológico europeu ECMWF indicam que o pico térmico deve superar 3°C entre os meses de setembro e dezembro deste ano. Metade das simulações numéricas aponta para marcas próximas de 3,3°C.

A dinâmica do fenômeno altera sensivelmente o mapa pluviométrico brasileiro. Enquanto o Sul enfrenta excesso de umidade, as regiões Norte e Nordeste encaram períodos de estiagem mais longos e rigorosos.

Para o agronegócio — setor que engloba a produção de grãos, fibras e pecuária —, as oscilações climáticas trazem incertezas para o calendário de semeadura das safras de verão e para a navegabilidade do transporte fluvial.

A seca prolongada também acende o alerta para o setor elétrico e eleva o potencial de incêndios florestais na Amazônia e no Cerrado, biomas estratégicos para a regulação do clima.

Em junho, os focos de queimadas ficaram 27% abaixo da média histórica e 14% menores em relação ao mesmo período de 2025. O governo federal atribui o resultado ao aumento de brigadistas e à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. Especialistas alertam, contudo, que o cenário tende a mudar com o avanço da estiagem nessas áreas, mantendo o risco de queimadas elevado pelo menos até o final de setembro.

Meteorologistas indicam que os desdobramentos climáticos do El Niño podem persistir até o primeiro semestre de 2027. A duração prolongada amplia a necessidade de ações preventivas na gestão hídrica e no planejamento governamental. Pesquisadores reforçam que, apesar de ser um evento natural e cíclico, o fenômeno ocorre em um planeta já aquecido por combustíveis fósseis e desmatamento, fator que potencializa a gravidade e a frequência de eventos extremos.

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