O turismo rural no interior da Bahia ganha força ao transformar a tradicional lavoura cacaueira em uma rota de experiências para turistas de várias partes do Brasil. O terceiro episódio da série "Rotas do Campo", exibido pela Band Bahia , visitou a Fazenda Yrerê, localizada no município de Ilhéus, para registrar como a propriedade alia patrimônio histórico, preservação ambiental e renda no campo.
A propriedade, cujas origens remontam ao período colonial das capitanias hereditárias , passou por uma reestruturação a partir dos anos 2000, quando a família do produtor rural João assumiu a gestão. A aposta central concentrou-se no cultivo agroflorestal, modelo que integra a produção agrícola à conservação da vegetação nativa.
Na região sul do Estado, esse manejo é conhecido tradicionalmente como cabruca, sistema no qual os cacaueiros se desenvolvem sob a sombra das copas de árvores nativas da Mata Atlântica. O método preserva a biodiversidade, protege o solo contra erosões e mantém corredores ecológicos fundamentais para a fauna silvestre.
A união entre manejo conservacionista e atividade turística tornou-se o principal atrativo para os viajantes. De acordo com o produtor João, o perfil dos visitantes mudou com a busca crescente por sustentabilidade e contato direto com a natureza.
Segundo o produtor, o sistema de agrofloresta foi decisivo para despertar o interesse do público. Ele explicou que o plantio em cabruca atrai quem deseja compreender o valor ambiental e produtivo do fruto, o que exigiu investimentos e melhorias estruturais na fazenda.
Para receber o fluxo frequente de pessoas, a propriedade adaptou suas trilhas internas. Conforme relatou João, as passagens foram ampliadas para garantir segurança e conforto nos dias de maior movimento de visitantes.
A rota de visitação oferece uma imersão completa nas etapas produtivas. Os turistas percorrem as áreas de plantio sombreado, observam o manejo no campo e acompanham todo o processo de colheita e extração das amêndoas de cacau.
A experiência tem atraído turistas de fora do Estado, interessados em conhecer a cultura do cacau in loco. Uma visitante de São Paulo ressaltou que a viagem a Ilhéus permitiu vivenciar a prática da colheita e entender as técnicas agrícolas aplicadas no campo.
A integração entre produção agrícola e o setor de viagens reforça a valorização da cadeia do cacau baiano, dinamiza os serviços da região de Ilhéus e consolida modelos de negócios sustentáveis na agropecuária brasileira.
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