Agro

Agronegócio gera 60% da energia renovável no Brasil; veja como isso é feito

Resíduos de cana-de-açúcar, celulose e carvão vegetal lideram a geração de energia no campo, mas biogás e biometano crescem

SEBASTIÃO GARCIA

04/11/2025 • 14:09 • Atualizado em 04/11/2025 • 14:09

O Brasil, reconhecido pelo seu vasto potencial em recursos naturais , está cada vez mais engajado em transformar esse potencial em energia renovável, o que coloca o país na vanguarda da transição energética. O tema será amplamente debatido na COP30, Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas , em Belém (PA), entre os dias 10 e 21 de novembro. E um dos destaques é o uso de biogás e biometano , gerados a partir de biodigestores que processam dejetos de animais em fazendas de criação de gado e suínos. Esses sistemas não só ajudam na geração de energia como também representam uma ferramenta valiosa na transição energética do país.

Em uma propriedade localizada no Distrito Federal, o produtor rural Valdemir Martins investiu cerca de R$ 3 milhões em um sistema para gerar energia no local e não se arrepende, já que o retorno foi alcançado em cerca de três a cinco anos, com faturamentos mensais que chegam a R$ 50 mil.

No Brasil, já foram instaladas mais de um milhão de plantas de biogás em propriedades rurais, demonstrando a adesão e o potencial expansivo dessa tecnologia . Esse alto investimento deve-se, sobretudo, à vocação agropecuária do país. "O investimento é importante para a transição energética, principalmente no Brasil. Neste sentido, saimos na frente, já que a Europa e outros lugares não há a força do agronegócio como existe aqui", afirma Renata Isper, presidente da Abiogas.

Além do biogás, outras formas de energia renovável, como a energia solar e eólica , também estão sendo amplamente adotadas no setor agropecuário, contribuindo para a redução de custos e a sustentabilidade das operações agrícolas. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), aponta que o setor agropecuário representa 60% da energia renovável produzida no Brasil , destacando-se a biomassa de cana-de-açúcar, o carvão vegetal e os resíduos da indústria de celulose . A contribuição do agro para a matriz energética do país tem crescido consideravelmente nas últimas quatro décadas.

Com a proximidade da COP 30, o Brasil se prepara para mostrar ao mundo como o agro pode ser um pilar na produção de biocombustíveis e na eletrificação, promovendo a eficiência energética e a descarbonização do planeta. Veículos híbridos movidos a etanol e tratores a biometano são exemplos de inovações que integram a capacidade produtiva agrícola com as demandas por soluções energéticas sustentáveis.

Os híbridos com motores flex, previstos para chegar ao mercado em dezembro deste ano, são outra inovação que promete impactar positivamente o meio ambiente, com a redução das emissões de carbono. "A fábrica está comprometida em reduzir as emissões de carbono", disse Luiz Octávio, gerente de uma concessionária, enfatizando o compromisso com a sustentabilidade.

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