Agro

Cooperativas do agro adotam IA com comando de voz para compras de insumos

Estudo do Sistema OCB/InovaCoop aponta transição digital no campo impulsionada por inteligência artificial, rastreabilidade e novas ferramentas

Da redação

DA REDAÇÃO

18/08/2026 • 21:18 • Atualizado em 18/08/2026 • 21:18

Cooperativas agrícolas lançam mão da tecnologia IA para comprar insumos
Cooperativas agrícolas lançam mão da tecnologia IA para comprar insumos - Foto: Kasane/OCB

As cooperativas do agronegócio brasileiro passam a utilizar recursos de inteligência artificial acionados por comando de voz para orientar estratégias de negócios e automatizar pedidos de compra neste ano de 2026 . A transformação ocorre em meio a uma transição digital histórica no setor agropecuário nacional, impulsionada pela necessidade de otimizar processos operacionais e atender às exigências de transparência do mercado consumidor.

A tecnologia de inteligência artificial já apresenta aplicações práticas de alto impacto na tomada de decisões das diretorias cooperativistas . Em uma das simulações registradas no setor, o sistema ST7 COOP analisou o banco de dados de uma organização com faturamento anual de R$ 5 bilhões.

Ao ser consultado sobre como a cooperativa poderia atingir uma receita de R$ 15 bilhões no prazo de três anos, o programa indicou a construção de uma indústria de etanol como a rota mais adequada de expansão . O executivo responsável obteve todo o diagnóstico estratégico diretamente por comando de voz.

O nível de automatização, antes restrito a grandes corporações multinacionais, consolida-se no cooperativismo agropecuário brasileiro. Segundo levantamento divulgado pelo Sistema OCB/InovaCoop, o segmento vivencia um momento de transição digital sem precedentes.

O estudo identificou sete movimentos tecnológicos determinantes para garantir a competitividade das cooperativas. Entre essas tendências, o processo de rastreabilidade — que consiste no acompanhamento transparente de todas as fases da produção, desde o plantio na lavoura até a chegada do produto ao ponto de venda — lidera as prioridades do mercado.

Outra frente de grande impacto na rotina operacional é a automação nas aquisições de insumos e suprimentos. Os sistemas integrados cruzam o histórico de consumo dos cooperados, o estoque disponível nos armazéns e as cotações de mercado.

Com essas variáveis, a ferramenta gera ordens de compra de forma autônoma, o que reduz o intervalo entre a identificação da necessidade de reposição e o fechamento do negócio com os fornecedores.

O monitoramento dos depósitos opera em tempo real, com alertas imediatos para situações de falta ou de excesso de produtos. A plataforma conecta as instalações de armazenagem à logística de transporte e à comercialização, com a identificação de cada lote desde a entrega realizada pelo produtor associado até a expedição final. "A cooperativa pode pedir ao sistema qualquer informação e ele responde. É uma inteligência que aprende com o negócio", afirma Luis Carlos Crema, diretor-executivo da Solterra Soluções Inteligentes, empresa responsável pelo desenvolvimento do sistema.

Apesar da evolução das ferramentas corporativas, a modernização completa ainda esbarra em limitações estruturais. Dados da 9ª Pesquisa Hábitos do Produtor Rural, elaborada pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), apontam que 98% das propriedades rurais do País contam com acesso à internet.

No entanto, converter esse volume de informações em decisões rápidas e integradas ainda representa um desafio relevante dentro das fazendas.

Um levantamento da Fundação Dom Cabral aponta a resistência cultural de produtores rurais, a instabilidade de sinal e a baixa qualificação digital na base associada como os principais entraves. Para superar esse cenário, os especialistas recomendam a implementação gradual de sistemas modulares, programas contínuos de capacitação digital e o fortalecimento de parcerias com startups especializadas no agronegócio.

"O produtor não quer saber como o sistema funciona por dentro. Ele quer encontrar o café dele, saber quanto vai produzir, quanto vai gastar", avalia Crema.

Desenvolvido para atender às demandas específicas do agronegócio cooperativo, o ST7 COOP opera como um sistema de gestão empresarial integrado, modalidade de software conhecida pela sigla ERP (Enterprise Resource Planning). A ferramenta conta com 27 módulos integrados que cobrem contabilidade cooperativa, rotinas fiscais automatizadas, relacionamento com o associado, estoques, logística, comércio exterior, análise de crédito e inteligência artificial embarcada.

A arquitetura do programa funciona em torno do conceito de ato cooperativo, instrumento que rastreia e calcula a participação de cada cooperado nos resultados e nas sobras da organização.

O software pode ser instalado em infraestrutura local ou em servidores em nuvem, mantendo compatibilidade com diferentes bancos de dados. Sua tecnologia nativa de inteligência artificial, denominada IA-ST7, viabiliza o controle por voz, a automação do setor de compras e a elaboração de cenários para o planejamento estratégico do cooperativismo brasileiro.

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