
O conflito no Oriente Médio reacendeu os temores sobre a oferta global de fertilizantes, pressionando os preços de nitrogenados e fosfatados. Segundo avaliação da consultoria StoneX, a região é um polo estratégico que concentra 41% das exportações mundiais de ureia e 28% das de amônia.
A relevância da região no comércio internacional significa que qualquer interrupção na produção ou no escoamento de cargas afeta diretamente os fluxos comerciais . Investidores já observam fornecedores locais retirando ofertas do mercado enquanto aguardam a evolução do cenário geopolítico.
A logística é outro ponto crítico de atenção para o setor. Navios têm evitado o Estreito de Hormuz, rota fundamental para o transporte de fertilizantes produzidos no Oriente Médio. Esse aumento de risco gera atrasos nas entregas e eleva os custos logísticos para importadores em todo o mundo.
Além dos insumos diretos, a valorização do petróleo decorrente das tensões pressiona os custos de combustíveis. Para o agronegócio brasileiro, isso representa um custo adicional de frete internacional, encarecendo o valor final dos fertilizantes que chegam ao produtor.
O papel estratégico do Irã no agro
O Irã ocupa uma posição central no mercado de nitrogenados , respondendo por 11% das exportações globais de ureia. O país é um fornecedor importante para o Brasil, tendo exportado cerca de 1,3 milhão de toneladas do produto em 2024.
Esse volume representa aproximadamente 16% de todas as importações brasileiras de ureia. Um eventual estrangulamento da capacidade exportadora iraniana teria impactos relevantes para suprir a demanda nacional por esse tipo de fertilizante.
Perspectivas para o mercado brasileiro
Apesar do cenário de alerta, o calendário agrícola reduz parcialmente os efeitos imediatos para os produtores brasileiros. O mercado nacional encontra-se atualmente fora da alta temporada de compras de nitrogenados.
Por outro lado, países como Estados Unidos e Austrália, que atravessam períodos de maior procura, devem sentir os reflexos de forma mais direta no curto prazo. A StoneX ressalta que o conflito é tratado como um fator "altista", com potencial para alterar o cenário do setor nas próximas semanas.
A magnitude dos efeitos sobre os preços globais dependerá da duração do conflito e da extensão dos danos à infraestrutura de produção e transporte na região. O mercado permanece atento ao número de países envolvidos e à persistência das tensões no Oriente Médio.
