O cultivo de lúpulo, uma das principais matérias-primas da cerveja, está ganhando força na região Noroeste de São Paulo . Graças a avanços tecnológicos e ao melhoramento genético, produtores da área conseguiram adaptar a planta, originalmente de clima temperado, às condições tropicais do país, o que pode impulsionar o mercado cervejeiro nacional.
O produtor Ricardo Beolchi foi o primeiro da região de São José do Rio Preto a investir na cultura, iniciando o plantio em 2015. “Eu, junto com a Robs Brasil e meu sócio, viemos tentando tropicalizar a cultura do lúpulo, visto que é uma cultura que vem de clima temperado. Normalmente, os países mais fortes são os Estados Unidos, Alemanha, principalmente a Europa. Estamos trazendo o lúpulo para o Brasil e fazendo a tropicalização dessa cultura."
As primeiras tentativas de cultivo do lúpulo no Brasil ocorreram na década de 1950, mas fracassaram pela falta de tecnologia adequada . Hoje, com o uso de iluminação artificial noturna, os produtores conseguem simular o fotoperíodo ideal da planta e ampliar a produtividade.
Além de cultivar o lúpulo, Beolchi e o sócio produzem mudas in vitro para exportação, acompanhadas de análises fitoquímicas exigidas por cervejarias . O material genético chega dos Estados Unidos e passa por quarentena no IAC (Instituto Agronômico de Campinas) antes de ser reproduzido em laboratório.
A farmacêutica-bioquímica Vivian Polotto C. Beolchi, responsável pelo laboratório, explica o processo. “Ela chega no nosso laboratório, a gente faz toda a micropropagação dessas mudas, para garantir uma limpeza, uma fitossanidade ao produtor, garantir uma qualidade ao produtor, de ter uma segurança no campo de rastreabilidade genética e fitossanidade.”
A planta, uma trepadeira que pode atingir até seis metros de altura, prospera justamente por não enfrentar o frio intenso característico de seus países de origem.
“Através de estudos, conseguimos descobrir que o lúpulo, através da iluminação, da complementação do fotoperíodo, a gente consegue tirar até três safras por ano, porque o ciclo da planta completa é de quatro meses. Como a gente não tem o frio aqui na região Sudeste, a planta não hiberna, ela nunca dorme. É uma planta perene, a partir do momento que você colheu, ela já vai estar crescendo” diz Ricardo.
Além de ser essencial para a produção de cerveja, o lúpulo pode ser usado também em cosméticos e medicamentos , abrindo novas possibilidades para o agronegócio brasileiro.
