Agro

Clima em junho desafia safras de milho e favorece culturas de inverno

Enquanto o Sudeste enfrenta estiagem, o Rio Grande do Sul terá umidade favorável para o trigo; veja os impactos para o bolso do produtor rural

VIVIANE TAGUCHI

29/05/2026 • 15:58 • Atualizado em 29/05/2026 • 15:58

O I nstituto Nacional de Meteorologia (INMET) divulgou a previsão climática junho, mês que dá início ao inverno no Hemisfério Sul, e apontou para um cenário de fortes contrastes regionais. A previsão indica chuva acima da média histórica em áreas das regiões Norte, Nordeste e Sul , enquanto o Sudeste e partes do Centro-Oeste devem enfrentar tempo seco. Em quase todo o Brasil, as temperaturas se mantém acima da média, o que promete acender o sinal de alerta para os produtores rurais de diversas culturas.

Impactos no milho segunda safra e lavouras do Norte e Nordeste

A combinação de termômetros em alta e umidade abundante deve trazer reflexos distintos para a Região Norte. No Pará, Amapá e Amazonas, a boa disponibilidade hídrica beneficia as lavouras de milho segunda safra que estão na fase de enchimento de grãos. A "segunda safra", também conhecido tradicionalmente no setor como "safrinha", refere-se ao cultivo realizado logo após a colheita da safra principal de verão. Por outro lado, nas áreas onde a colheita já começou, o excesso de chuva eleva o risco de doenças fúngicas e dificulta o tráfego das máquinas agrícolas.

No Nordeste, as chuvas acima da média vão impulsionar o desenvolvimento do milho segunda safra no noroeste do Maranhão e favorecer o plantio do feijão e do milho terceira safra na região do SEALBA (acrônimo para a área agrícola que abrange Sergipe, Alagoas e a Bahia). A fruticultura litorânea também ganha fôlego, economizando custos com irrigação. No entanto, o interior da região e o MATOPIBA — importante fronteira agrícola que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — sofrerão com o calor forte, aumentando a perda de água do solo por evapotranspiração e ameaçando o potencial produtivo dos grãos mais tardios.

Calor e estiagem pressionam o Centro-Oeste e o Sudeste

O Centro-Oeste sentirá o peso da falta de chuva e do calor intenso, com temperaturas até 1,5 °C acima do normal em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Como o plantio da segunda safra atrasou no início do ano devido às chuvas de janeiro e fevereiro, o milho enfrentará seu período crítico justamente sob forte déficit hídrico. Na pecuária de corte, a falta de umidade reduz o vigor das pastagens, prejudicando a alimentação dos rebanhos e forçando o produtor a antecipar a suplementação no cocho.A situação se repete na Região Sudeste, onde as altas temperaturas vão acelerar a perda de água das plantas. O estresse hídrico deve atingir em cheio o milho safrinha em São Paulo e Minas Gerais, além de afetar o enchimento dos frutos na citricultura. Em contrapartida, o setor de hortifrúti tende a registrar um crescimento mais rápido e acelerado diante do clima mais quente.

Região Sul com chuvas volumosas

O Rio Grande do Sul terá volumes de chuva expressivos e temperaturas acima do normal em junho. Essa condição garante um solo com excelente umidade para o rápido desenvolvimento das lavouras . O cenário geral da região favorece a semeadura e o estabelecimento inicial das principais culturas de inverno, como o trigo e a aveia.

O excesso de chuva, contudo, gera preocupação em pontos específicos do Sul. No norte do Paraná, onde o milho foi plantado mais tarde, o clima adverso coincide com a fase mais sensível do cereal. Já na metade sul gaúcha, os acumulados elevados e a alta nebulosidade prometem dificultar o manejo e os trabalhos de campo nas áreas destinadas ao cultivo do arroz irrigado.

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