A precariedade da BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), compromete o escoamento da produção agropecuária e isola comunidades no Norte do país. A via federal, inaugurada há 50 anos, sofre com a falta de pavimentação contínua, poeira densa na estiagem e atoleiros no período de chuvas.
Em uma série especial de reportagens, a equipe do AgroBand percorreu os quase 900 quilômetros do trajeto para documentar a rotina de quem vive e produz às margens da estrada. A rota conecta o Amazonas a Rondônia e ao restante da malha viária brasileira.
O caminho, que já teve pavimentação asfáltica de ponta a ponta nas décadas passadas, hoje apresenta trechos com erosões, buracos e pistas estreitas. Em diversos pontos, apenas vestígios do asfalto original resistem no solo de terra batida.
Além dos prejuízos econômicos e do desgaste mecânico dos veículos, a situação da rodovia impõe um alto custo humano. "Quando essa BR ficou intrafegável, eu perdi uma filha", desabafou um dos moradores locais à reportagem, ao relatar as dificuldades para conseguir atendimento médico de emergência.
A deterioração da estrada afeta diretamente o transporte de cargas em direção aos portos do Arco Norte. Esse sistema reúne terminais portuários fluviais e marítimos no Norte e Nordeste, considerados o corredor mais econômico e curto para a exportação de grãos do país.
Sem condições adequadas de tráfego, o escoamento agrícola sofre com atrasos, aumento no consumo de combustível e elevação no preço dos fretes. "A BR-319 já existe, já foi transitável. O que nós clamamos é pela sua recuperação", cobrou um dos produtores rurais entrevistados durante o percurso.
O crescimento do setor agropecuário na região amazônica, que registra taxa de expansão média de 10% a 12% por ano, contrasta com a estagnação das obras viárias. Para os agricultores, a falta de infraestrutura anula parte dos ganhos obtidos na lavoura e na pecuária.
"Isso provoca um custo extremamente alto e acaba voltando ao produtor", avaliou um agricultor ouvido pelo programa, destacando que as despesas logísticas afetam tanto a saída da colheita quanto a compra de fertilizantes.
O conteúdo veiculado pelo AgroBand ressalta que a estrada vai além do abastecimento de Manaus. A rodovia integra uma rede de transporte multimodal, onde caminhões, barcaças e portos operam juntos para movimentar as riquezas da Amazônia.
A falta de manutenção impede a conexão eficiente entre o campo, a indústria e os centros consumidores. Produtores e motoristas apontam que as obras estruturais na via são indispensáveis para garantir a segurança no tráfego e destravar o desenvolvimento econômico do Norte.
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