Agro

Azeite extravirgem ou comum? Veja as diferenças e fuja das falsificações

Ministério da Agricultura estabelece limites de acidez química e intensifica a fiscalização para combater adulterações no mercado brasileiro

Da redação

DA REDAÇÃO

17/08/2026 • 19:13 • Atualizado em 17/08/2026 • 19:13

O azeite extravirgem deve registrar acidez máxima de 0,8% e ausência de qualquer defeito sensorial no aroma ou no sabor
O azeite extravirgem deve registrar acidez máxima de 0,8% e ausência de qualquer defeito sensorial no aroma ou no sabor - Foto: Canva

A circulação de vídeos sobre azeites falsificados ganhou força nas redes sociais nas últimas semanas , impulsionada por apreensões de lotes adulterados no país. As publicações mostram consumidores testando marcas populares em casa para checar a pureza do produto, mas especialistas e órgãos oficiais alertam que a maioria desses testes caseiros não tem qualquer comprovação científica.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o azeite de oliva é o segundo alimento mais fraudado no mundo, superado apenas pelo pescado . A grande repercussão das fiscalizações federais fez explodir o interesse do público na internet, gerando conteúdos que misturam orientações corretas com métodos imprecisos de avaliação doméstica.

Entre os vídeos mais compartilhados estão aqueles qu e indicam colocar a garrafa de azeite na geladeira ou no congelador. A teoria difundida na internet afirma que o produto verdadeiro congela totalmente e o adulterado permanece líquido. No entanto, pesquisadores explicam que esse método é falho.

O congelamento do azeite depende da variedade da azeitona e do perfil de ácidos graxos presentes no óleo. Além disso, fraudes que utilizam outros óleos vegetais ou azeite lampante refinado também podem solidificar em baixas temperaturas, induzindo o consumidor ao erro.

Outro teste frequente na internet envolve queimar o líquido com um pavio. Especialistas reforçam que qualquer substância gordurosa serve como combustível. Portanto, a queima não atesta a pureza nem a qualidade do azeite extravirgem.

Azeite extravirgem e azeite de oliva comum

O azeite de oliva extravirgem e o azeite de oliva comum apresentam processos de extração e níveis de pureza distintos, parâmetros regulamentados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para assegurar a qualidade do alimento e combater adulterações no mercado brasileiro.

A principal distinção entre os tipos está no método de obtenção e no índice de acidez livre . Enquanto o extravirgem é extraído exclusivamente por prensagem mecânica a frio da azeitona, o azeite comum passa por processos industriais de refino antes de chegar às prateleiras.

Segundo as normas da Instrução Normativa nº 1/2012 do Mapa, o azeite extravirgem deve registrar acidez máxima de 0,8% e ausência de qualquer defeito sensorial no aroma ou no sabor. Essa categoria preserva integralmente os compostos antioxidantes e os nutrientes naturais do fruto.

Já o azeite de oliva padrão, classificado na legislação como tipo único, resulta da mistura de azeite refinado com uma parcela de azeite virgem, admitindo índice de acidez de até 1,0%. O refino retira o excesso de acidez e as impurezas do óleo inferior, mas reduz a concentração original de compostos bioativos.

A acidez é um parâmetro químico avaliado em laboratório. O número indica o estado de conservação da matéria-prima e não tem relação com a sensação de acidez percebida no paladar.

Dicas práticas para acertar na compra

Especialistas e técnicos federais orientam o consumidor a desconfiar de garrafas comercializadas com valores muito inferiores à média de mercado. O custo de produção da azeitona inviabiliza azeites autênticos a preços excessivamente baixos.

A escolha da embalagem também faz diferença. O consumidor deve dar preferência aos recipientes de vidro escuro, que barram a luz e evitam a perda precoce das propriedades antioxidantes.

A data de envase é outro fator decisivo. Ao contrário dos vinhos, o azeite não ganha qualidade com o tempo e deve ser consumido o mais novo possível.

Por fim, a conferência do rótulo impede equívocos. Produtos denominados "óleo composto" contêm misturas com óleos de soja ou milho e não oferecem as características nutricionais do azeite puro de oliva.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: