
Degustar um belo churrasco no fim de semana ou até aquele filé suculento e macio não depende somente da forma como ele é preparado, pois saiba que a maciez da carne bovina também começa a ser determinada no campo. A genética do animal conta muito, mas a alimentação que ele recebe ao longo da vida também interfere na qualidade da carne. Pesquisas da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) demonstram que o tipo de dieta oferecida aos animais influencia características essenciais como a maciez, o perfil de gordura (ácidos graxos) e até mesmo a aceitação sensorial do produto.
A qualidade da carne bovina é um conceito amplo, que envolve atributos como maciez, suculência, sabor, aroma e a quantidade e distribuição da gordura intramuscular, conhecida como marmoreio . A nutrição animal surge como um dos pilares fundamentais na determinação dessas características, influenciando processos biológicos que ocorrem durante o crescimento e a fase de terminação (engorda final) do gado. Não se trata apenas de garantir o ganho de peso, mas de modular a composição final do produto que será oferecido no mercado pecuário.
Diferentes estratégias alimentares são constantemente pesquisadas pela Embrapa para otimizar esses resultados. Isso inclui desde o manejo das pastagens até a f ormulação de dietas específicas para animais em confinamento , buscando atender às demandas de um consumidor cada vez mais exigente. Um dos focos de pesquisa é o impacto de dietas com maior concentração de energia.
As dietas, frequentemente à base de grãos como milho e farelo de soja ou silagens de alta qualidade, podem alterar significativamente o perfil da carne. Pesquisas apontam que tais estratégias nutricionais podem influenciar positivamente o perfil de ácidos graxos da carne.
A composição da gordura é um fator relevante não apenas para o sabor e a suculência, mas também desperta interesse sob a perspectiva da saúde humana, embora as fontes consultadas não detalhem esse aspecto nutricional para o consumidor final. Além da gordura, estudos indicam que dietas energéticas podem resultar em uma melhor aceitação sensorial geral da carne.
Estudos da Embrapa detalham impacto da nutrição
Um exemplo prático dessa conexão entre dieta e qualidade é a utilização de cereais de inverno , como aveia, trigo, triticale ou centeio, na terminação de bovinos. Esses cereais surgem como alternativas ao milho, tradicionalmente usado como fonte de energia nas dietas de confinamento, especialmente na produção voltada para carnes nobres.
Segundo a Embrapa, forragens conservadas (como pré-secado ou silagem) desses cereais apresentam maior teor de proteína bruta em comparação com a silagem de milho. Essa diferença na composição da dieta do animal reflete-se diretamente nas características finais da carne produzida.
Essa abordagem nutricional visa agregar valor ao produto, atendendo nichos de mercado que buscam cortes com qualidades específicas de sabor e maciez.
O que o gado come define o produto final
O manejo alimentar adotado na criação do gado não é apenas uma questão de custo ou ganho de peso, mas uma ferramenta estratégica que impacta diretamente a qualidade sensorial e a composição da carne bovina.
Embora o debate sobre as diferenças nutricionais para o consumidor entre carne de pasto (conhecida comograss-fed) e de confinamento (grain-fed) seja comum, as pesquisas da Embrapa consultadas focam na confirmação de que a dieta é, sim, um fator decisivo na qualidade percebida do produto final. O que o boi come, em última análise, molda a experiência de quem consome a sua carne.
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