Agro

Agrishow encerra com foco em pulverização inteligente e máquinas autônomas

Maior feira agrícola da América Latina destacou ganhos de produtividade com conectividade via satélite, mas setor alerta para endividamento e juros altos

Da redação

DA REDAÇÃO

04/05/2026 • 11:53 • Atualizado em 04/05/2026 • 11:53

A Agrishow, considerada a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, encerrou suas atividades consolidada como a principal vitrine de inovações para o campo. O evento reuniu as marcas mais tradicionais do setor para exibir avanços em tratores, plantadeiras e pulverizadoras de alta tecnologia, reafirmando o papel do Brasil como potência agrícola global.

Além do maquinário pesado, a conectividade e a automação total de processos foram os eixos centrais das apresentações desta edição.

Eficiência tecnológica e máquinas autônomas

Um dos principais destaques tecnológicos foi o novo sistema de pulverização inteligente demonstrado pela John Deere. A tecnologia foi projetada para gerar uma economia média de insumos de 56%, podendo alcançar até 93% de eficiência em situações específicas nas lavouras, ao aplicar defensivos de forma localizada e precisa.

Outro avanço significativo ocorreu na citricultura, com a apresentação de um modelo de pulverizador totalmente autônomo. Guiado por sensores e câmeras que realizam a leitura das linhas de plantio, o equipamento dispensa totalmente a operação humana direta.

A integração com a tecnologia de dados também marcou o evento. As máquinas agrícolas passaram a sair de fábrica equipadas com antenas Starlink, garantindo conexão em áreas remotas onde o sinal de telefonia é inexistente.

Projetos de "fazenda conectada" implementados no Mato Grosso serviram de exemplo durante a feira, mostrando que o uso de dados extraídos das máquinas em tempo real proporcionou um ganho de 19% na produtividade dos produtores locais.

Cenário econômico e desafios do produtor rural

Apesar do otimismo com as inovações, o acesso a essas tecnologias enfrenta barreiras econômicas severas . O custo elevado do maquinário moderno esbarra na baixa remuneração de diversos produtos agrícolas e na manutenção de taxas de juros em patamares elevados, o que dificulta o financiamento e a renovação das frotas.

Dados de cooperativas de crédito, como o Sicredi, revelaram que a inadimplência entre os produtores rurais saltou de 0,9% para 3% nos últimos dois anos. Embora o índice ainda permaneça abaixo da média geral do mercado financeiro, que supera os 6%, o crescimento acendeu um alerta para as entidades do agronegócio.

A expectativa do setor produtivo se concentra na queda da taxa de juros para fomentar o crescimento contínuo do agronegócio. A análise apresentada no Jornal da Band indica que, sem condições de crédito mais favoráveis, a velocidade de adoção das tecnologias exibidas na Agrishow pode ser comprometida, impactando a competitividade futura do produtor brasileiro.

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